27 de nov de 2007

Bancos mundiais aspirados para o "buraco negro" da crise financeira

Os quatro fatores desencadeadores da grande falência bancária


O LEAP/E2020 estima que a partir de agora pelo menos uma grande instituição financeira americana (banco, seguradora, fundo de investimento) irá entrar na falência antes de Fevereiro de 2008, provocando a bancarrota de uma série de outras instituições financeiras e de bancos na Europa (especialmente no Reino Unido), na Ásia e em vários países emergentes. Segundo a expressão de Tony James , presidente da Blackstone , formou-se um "buraco negro" após a crise americana dos créditos "subprime".

Os fatores que desencadeiam tal acontecimento são doravante tão poderosos e os sinais precursores tão numerosos, que os nossos investigadores dizem que a probabilidade de isso acontecer nos próximos três meses atinge quase os 100%. Também é certo para a nossa equipe que as autoridades financeiras americanas irão tentar introduzir uma rede protetora de reembolso para evitar que o pânico se alastre por todo o sistema financeiro americano ; mas a amplitude da falência atingirá de imediato as instituições financeiras mais expostas nos Estados Unidos e no resto do mundo. Os países cujos operadores financeiros estão mais ligados aos operadores financeiros americanos estarão na linha da frente: Reino Unido, Japão e China, em particular .

Existem quatro fatores desencadeadores principais, segundo a nossa equipe:

* 1. Redução drástica das receitas dos bancos que operam nos Estados Unidos;
* 2. Queda acelerada de valores ativos detidos por esses mesmos bancos sob o efeito da nova regulamentação bancária dos Estados Unidos ("FASB regulation 157");
* 3. Fragilização crescente das seguradoras obrigacionistas;
* 4. Recessão econômica nos Estados Unidos.

Claro que estes fatores têm de ser colocados dentro do contexto geral descrito pelo LEAP/E2020 desde o início de 2006, a saber: a crise sistemática global que apenas agora começa a ser apreendida pelos líderes políticos, financeiros e econômicos mundiais . O fato de ao longo dos últimos dois anos, os maiores operadores financeiros e os bancos centrais, particularmente, a Reserva Federal Americana e o Banco de Inglaterra, se encontrarem sistematicamente atrasados relativamente ao curso dos acontecimentos, leva a crer que eles apenas se tornarão conscientes da existência de uma crise bancária quando um acontecimento maior se tiver consumado, quando for demasiado tarde para prevenir eficazmente a contaminação do sistema.

O congelamento dos LBOs. Os projectos de fusão-aquisição estão num impasse. Por exemplo, no sector da tecnologia (por excelência, mercado das fusões-aquisições), Wall Street viu o montante das transações passar de 99 mil milhões de dólares americanos no terceiro trimestre de 2006 para 52 mil milhões no terceiro trimestre de 2007 (ou seja, um decréscimo de 50%), quando a crise do crédito estava ainda no início. No entanto, o enfraquecimento do dólar americano originou, no terceiro trimestre de 2007, um frenesim de compras européias nos Estados Unidos fazendo com que, pela primeira vez, os europeus gastassem tanto quanto os seus homólogos norte-americanos.

Um fenómeno que se está a reforçar como foi recentemente ilustrado pela RWE , a produtora alemã de energia que decidiu adiar a inserção na bolsa da sua filial American Water por causa da crise do crédito nos Estados Unidos ; a Rusal , o gigante russo do alumínio, reagendou também para uma data indeterminada a sua entrada na bolsa, embora tivesse prometido ser uma das mais importantes do ano de 2007 e apesar dos bancos operadores já estarem escolhidos (a saber, Morgan Stanley, JP. Morgan e Deutsche Bank).

Todas estas tendências convergem numa mesma direção: a perda de uma fonte significativa de receitas dos bancos que operam nos Estados Unidos, que se cumula às consequências da aplicação da norma FASB 157 e da crise das CDO, traduzindo-se na perda de valor de uma parte importante do ativo desses mesmos bancos.

Em 2007, as perdas ligadas ao mercado hipotecário explodiram literalmente relativamente a 2006 e, como se pode constatar, as receitas dos serviços de conselho e de intermediação nas grandes transações financeiras secaram .

Não é preciso ser-se visionário para concluir que estes bancos, entre o final de 2007 e o início de 2008, irão passar por uma crise bastante grave, capaz de provocar perdas às quais alguns deles não conseguirão fazer face. Segundo o LEAP/2020, o que vemos hoje desta crise não são senão sinais premonitores da crise bancária maior cujas causas e consequências para os investidores e para os poupadores estão detalhadas no GEAB N.º 19.


O original encontra-se em http://www.leap2020.eu/ .